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Paixão, Amor e Atração – Podemos Escolher Sentimentos?


Não existe amor a primeira vista. Você decide amar ou odiar. Acredite, diferente do que estamos acostumados a pensar e a ouvir,
especialmente do que muitos de nós aprendemos por gerações, os sentimentos
podem ser não apenas “controlados”, como escolhidos
, você duvida? Leia…
Para saber como isso é
possível, você precisa primeiro compreender o que é, realmente, um sentimento e
suas diferenças em relação à percepção, atração e paixão. Vejamos:
 





Percepção – É
o ato instantâneo e INVOLUNTÁRIO de perceber alguma coisa. É um reflexo, uma
função essencialmente fisiológica por onde notamos tudo o que está a nossa
volta. Você percebe com os cinco sentidos humanos, são eles: visão, olfato,
audição, paladar e tato
. Você não escolhe perceber, você simplesmente percebe.
Um cheiro, um movimento, uma luz, um barulho, um toque, são todos estímulos do
ambiente que fazem teu corpo perceber o mundo, compreende? Percepção não deve
ser confundida com atenção
, pois a atenção é a consequência de um interesse que
temos por algo, não é um processo fisiológico, mas sim uma escolha. Ou seja, damos
atenção apenas ao que nos interessa, enquanto percebemos tudo o que nos rodeia.
 

Mulheres girafas
 Atração
Adquirida
– É o resultado do que aprendemos ao longo da vida sobre
o que é bom ou ruim. Semelhante à percepção, a atração adquirida também é um
processo essencialmente fisiológico e INVOLUNTÁRIO. Ou seja, não escolhemos
pelo quê ou quem somos atraídos
, nós simplesmente somos. Isso acontece com base
na relação desenvolvida com o meio ao longo da vida, especialmente nos
primeiros anos (01 aos 05 anos) e toda a infância, quando se dá a formação e “firmação”
da identidade. A ideia de beleza, força, valorização, ideais, estilos,
características de comportamento, são todos “objetos de atração” diferentes
para cada pessoa, conforme o ambiente e educação que obteve. As diferenças de
atração podem ser de nível individual ou cultural, por exemplo: as “mulheres girafas”
da Tailândia, ou as de pés atrofiados de Yan’na na China, onde os homens são atraídos
pelo tamanho do pescoço e dos pés. Em algumas tribos indígenas na África e Ásia,
a atração é pela quantidade de cicatrizes ou tatuagens que a mulher possui no
corpo, ou pelo tamanho do alargamento corporal, é o caso das mulheres da Tribo
Mursi na Etiópia. No Brasil os homens são atraídos por mulheres de bunda grande
e pernas grossas, enquanto nos EUA os homens são atraídos por mulheres de
peitos grandes e pernas “delicadas”. Esses são apenas alguns exemplos, que
não dizem respeito apenas à sexualidade, mas também a preferências alimentares,
estilo de vida como um todo.

 Atração Desenvolvida – É o tipo de atração
que não foi adquirida involuntariamente, mas sim “intencionalmente”. Essa
intencionalidade muito sutil consiste na atenção que damos a determinadas
coisas, nos aproximando, tornando algo gradualmente pertencente ao nosso
ambiente e convívio
. É o caso, por exemplo, de alguns fetiches sexuais, que
passam a ser atração depois que somos expostos ou nos expomos constantemente
a eles, por opção e não por obrigação ou condição de vida.

Mulheres da Tribo
Mursi na Etiópia


O “costume” de algumas práticas sexuais é resultado do que muitos veem,
ou são submetidos a praticar, mas que não refletem exatamente a necessidade do “sexo”
(relação), em si, mas os valores de quem pratica. O mesmo acontece com relação
a estilos de vestimenta, alimentação, comida e bebida. Os vícios em especial, são
atrações desenvolvidas que se tornam psicologicamente condicionantes
. O corpo
assume as “necessidades fisiológicas” daquilo que nos submetemos à atração! Diferente
da atração adquirida, a atração desenvolvida é fruto principalmente das escolhas
que fazemos no decorrer da vida
, por isso uma pessoa pode mudar de
características, sempre acrescentando ou retirando “objetos de atração”. Vale
ressaltar, no entanto, que esse processo tem relação com a atração adquirida.
Ou seja, de uma forma ou de outra, a atração desenvolvida sempre fará alguma “ponte”
com a “atração matriz”, em resposta a ela, seja confirmando, confrontando ou desconstruindo.
É como se um homem da Tribo Mursi, na Etiópia, passasse a frequentar o Brasil e
a conviver com as mulheres brasileiras, principalmente com a cultura masculina.
Se ele se permitir a ter um olhar diferente, passando inevitavelmente a
confrontar a sua própria cultura, certamente ele poderá confirmar (manter), desconstruir
(perder) ou agregar mais um objeto de atração a sua vida.

Quanto maior o alargador labial, mais belas elas são consideradas!



 Paixão – É o resultado da relação que desenvolvemos
com tudo o que nos atrai e podemos depositar nossas expectativas de ideal. A
paixão é praticamente súbita, intensa, é a SENSAÇÃO DE UM SENTIMENTO, mas não é sentimento.
Paixão é a euforia de encontrar, no outro, as características “perfeitas” do
que traçamos como ideal. Ou seja, nossa própria imagem!
Podemos dizer que
paixão é a expectativa de um sentimento sendo vivido cegamente, inicialmente com
nós mesmos. O outro (pessoa) é aquele que, inicialmente, reúne apenas um
conjunto de características pelas quais somos atraídos, por isso dizemos que
estamos apaixonados pelo outro, e não por nós mesmos.
É por isso também que, ao
descobrir as diferenças entre nós e o outro, diferenças essas que não nos
atrai, chamamos isso de “defeito”. As frustrações “amorosas” são, na verdade,
de paixão, e não de amor.
Diferente da percepção e atração
adquirida, a paixão, assim como os sentimentos, são escolhas, mas deixa de ser
quando você não tem conhecimento de como eles passam a existir, tornando-se uma pessoa “entregue” a todas as possibilidades de sentimentos. Veremos isso
mais adiante.

Sentimentos – É um processo que reúne a ação
de vários elementos em sequência. Primeiro percebemos, depois somos atraídos,
em seguida se dermos atenção, podemos ficar apaixonados.
Na fase da paixão, há
duas possibilidades: 01 – a frustração vem antes de você achar que ama,
descobrindo que o outro não é, exatamente, a imagem “perfeita” projetada nele.
Então as diferenças se revelam, se elas não forem superáveis, o relacionamento
termina, mas se for, então passam a conviver aprendendo a respeitar essas
diferenças. Esse é o relacionamento saudável com menor risco de problemas
futuros. 02 – a frustração só vem depois que você achou que estava amando, o
que geralmente resulta em casamento, filhos, etc. É comum nos relacionamentos
precipitados, muitas vezes imaturos. Nesse caso você não teve tempo suficiente
para conhecer as diferenças do outro, o que parecia amor, na verdade, ainda era
paixão. As decisões foram tomadas num momento de “cegueira”, impulsionadas pela
intensidade das expectativas que para você pareciam ser perfeitas, enquanto “amava”
o próprio sonho sendo projetado no outro.
Com o passar do tempo, a realidade trás à tona todas as
diferenças antes “mascaradas”, mas que agora precisam ser encaradas. Como a
relação a essa altura já está bem avançada, não é fácil lidar com isso sem
causar muitas dores e perdas. Há relacionamentos que se sustentam, fingindo,
outros superam e se acertam, enquanto muitos terminam. Então o que é o
sentimento? É o momento quando gostamos e somos atraídos pelo outro da forma
como ele realmente é, com seus “defeitos” (diferenças) e virtudes, aprendendo a
respeitar, ao invés de desentender. Isso acontece quando separamos nossas
expectativas da realidade. O outro deixa de ser um “projeto”, para ser ele
próprio, e nós continuamos a gostar e a desejar estar junto continuamente.
A grande diferença em relação à paixão é que para alcançar esse nível de
maturidade afetiva é preciso tempo e intimidade em praticamente tudo na vida, o
que significa conviver corretamente (porque conviver não significa conhecer)! Em outras palavras, sentimento é uma construção, um processo relacional, consciente e multiforme, jamais uma sensação súbita que nos pega desprevenidos.
Finalmente,
é possível escolher os sentimentos?
Sim, porque como acabamos de
ver, tanto o amor como o ódio, por exemplo, são CONSTRUÇÕES AFETIV-AS,
desenvolvidas com base na CONVIVÊNCIA e atenção destinada a algo ou pessoa. Não
é uma percepção ou atração involuntária, mas um PROCESSO EM ANDAMENTO. Ao
compreender que não somos vítimas de sentimento algum, muito pelo contrário,
somos RESPONSÁVEIS pelo que decidimos fazer parte do nosso ambiente, do nosso convívio,
bem como pelo MODELO DE VALORES que passo a acreditar no decorrer da vida,
chegamos a conclusão de que amar ou odiar é uma questão de PERCURSO. Se eu
decido interromper esse percurso, basta que eu QUEIRA pensar diferente, assuma
postura coerente a isso (cortando vínculos, hábitos, se necessário) então toda
minha atenção se voltará para outros “objetos de atração”, me dando a oportunidade
de recomeçar com novas paixões. A paixão também é escolha, no sentido de que ao
saber que se trata de um “ideal” projetado, posso definir para mim quais são os
critérios desse projeto. Por exemplo, se o que me atrai numa mulher é uma
personalidade X, com valores B, corpo C, comportamento D e olhos Z, por qual
motivo me envolveria com alguém diferente disso? Poder, eu até posso, mas fico
ciente que as chances de não dá certo são muito maiores. Parece óbvio e fácil,
mas não é, a verdade é que a maioria das pessoas “traem” suas expectativas devido
a outros interesses; agradar a família, amigos, sociedade, ideal “padrão” de
beleza, se sentir parte de um grupo, finanças, vaidade, conforto, IMPACIÊNCIA, carência, dependência e
muitos outros motivos.
Mas
por que muitos se sentem vítimas dos sentimentos?
Primeiro porque aprenderam
errado em relação a isso. A cultura romântica ensina isso, o problema é que
tudo só termina bem nos filmes e novelas, porque na vida real os resultados são
bem diferentes. Segundo, porque muitos realmente desejam permanecer nessa condição
(carência), alimentando algo que na realidade não se concretiza, fazendo disso
uma motivação de vida. Terceiro, porque ser “vítima” pode ser um meio “confortável”
de tentar justificar a própria incapacidade na tomada de decisões significativas. Ou seja, para muitos é mais fácil ficar na condição de refém, do que ter a obrigação de encarar sua liberdade com mais responsabilidade. Os que fazem
isso, na verdade, estão abrindo mão de si mesmos, são as pessoas dependentes
afetivamente, “incompletas” consigo mesmas utilizando o “sofrimento”
como forma de ganhar a atenção do outro, a fim de se sentirem “completas”. A
relação é para ser um acréscimo de complementos e não apenas complemento. Quarto, porque os erros constantes na vida amorosa faz com que a pessoa desacredite na sua capacidade de acertar. Ela já se enxerga como vitima, mesmo em novos relacionamentos, se conformando com situações humilhantes, infelizes e destrutivas. Isso acontece muito por falta de bons aprendizados.
Por fim, apesar de saber que
podemos ter o controle dos sentimentos, não devemos tratá-los como um projeto
friamente calculado. Há momentos que precisamos simplesmente viver para que
algumas coisas se revelem naturalmente.
Ter critérios, assumir controle, não
significa interagir com “paredes”, muito menos ser como uma, parecendo ser
imune aos afetos, até mesmo de coisas ou pessoas que jamais imaginaríamos nos
aproximar. O importante é ter consciência do que realmente nos faz bem,
possuindo uma “matriz” de referencia, em termos de valores e objetivos, para que,
quando necessário, possamos fazer uso da responsabilidade que temos em decidir
nosso “destino”, mudando ou permanecendo no percurso.
Abraço e até a próxima…

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