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Gays de Direita e Q-Libertários – Na “Contramão” do Movimento LGBT?

“…quem quer saber de
“revoluções” é a cúpula do MHB, totalmente influenciada pelo discurso marxista
e alheia aos interesses e necessidades da população homossexual.”

Abaixo, segue uma entrevista completa feita pelo site ‘Um Outro Olhar’ aos fundadores do blog Gays de Direita e Q-Libertários, homossexuais que revelam o outro lado da militância política do movimento homossexual que muitos ainda não conhecem. Leia e tire suas próprias conclusões.
Atenção! As partes em destaque são grifos do Opinião Crítica.





Entrevista:

UOO:Vocês mantêm dois blogs, Gays de Direita e Q-Libertários, que
vão na contramão da perspectiva com que a maioria de ativistas e
blogueiros LGBT aborda a questão da homossexualidade que é
tradicionalmente mais à esquerda ou de esquerda. Então pergunto,
primeiro, quando decidiram lançar os blogs e qual o objetivo deles?



GG: A ideia de criar o blog surgiu em uma festa na casa de um
amigo, onde percebi que praticamente nenhum homossexual ali
compartilhava dos mesmos ideais de cunho esquerdista do movimento gay
.
Além disso, em conversas com amigos em outras ocasiões, notei que havia
muita desinformação em relação a temas do interesse dos homossexuais e
desconhecimento acerca do verdadeiro caráter da militância LGBT no
Brasil.


O blog tem o objetivo de incentivar o debate sobre assuntos da
atualidade a partir de uma perspectiva conservadora. Pensamos em vários
nomes, mas acabamos optando por “Gays de Direita” mesmo. Julgamos que os
resultados de nossa iniciativa têm sido muito positivos: apesar de uns
xingamentos, temos recebido muitos elogios e críticas de pessoas que
pensam como a gente, além de ter despertado a admiração até mesmo de
alguns heterossexuais, que acabaram se tornando fãs do blog.
Evidentemente, as publicações do blog não necessariamente representam a
opinião de todas as pessoas envolvidas no grupo. Da mesma forma, não
esperamos que os leitores concordem com tudo o que é publicado, pois
alguns temas inclusive são bastante controversos.



QL: Não tive, a princípio, a intenção de criar um blog que
relacionasse política com assuntos LGBTs. Entristecia-me qualquer
tentativa de mesclar identidade sexual com ideologia política. Contudo,
ao fazer buscas na internet por sites de temática LGBT percebia que boa
parte deles estava atrelada, politica ou ideologicamente, a partidos e
movimentos de esquerda
. Nessa época, eu já não me considerava de
esquerda, embora não quisesse aceitar. Fui doutrinado pelos meus
professores a pensar que a esquerda possuía o monopólio dos bons
sentimentos. Após uma série de reflexões e estudos, percebi que não
compartilhava com a visão de mundo socialista. Procurei por sites ou
blogs gays que tivessem alguma afinidade com o que pensava, mas não
encontrei nenhum, pelo menos em língua portuguesa.
A partir daí, resolvi
criar o blog. Sobre o objetivo do mesmo, acredito que seja apresentar
às lésbicas, aos gays, aos bissexuais e aos transgêneros a visão que
nós, libertários, possuímos da sexualidade humana e dos direitos civis e
individuais.



UOO: GG, dizer-se de direita no Brasil, no contexto pouco
democrático atual, é como assumir um estigma. Exige coragem portanto.
Assumir-se gay e de direita exige muito mais, principalmente porque a
direita sempre foi vista como inimiga das pessoas homossexuais, tendo de
fato assumido posturas muito reacionárias. Fale um pouco sobre essa
(aparente?) contradição. 


GG: Intuitivamente, observo que a impressão das pessoas comuns em
relação ao socialismo é muito mais negativa do que em relação à
direita. Por isso, eu não vejo essa interpretação como uma percepção
generalizada dentro da população gay ou fora dela. É perfeitamente
normal que homossexuais defendam ideias de direita. Há gays católicos,
gays que são virgens e gays que defendem relações monogâmicas e
estáveis. Parece-me que quem quer saber de “revoluções” é a cúpula do
MHB, totalmente influenciada pelo discurso marxista e alheia aos
interesses e necessidades da população homossexual.


As pessoas gostam de falar que existe uma contradição entre ser gay e de
direita porque a direita, de um modo geral, não assume um
posicionamento pró-gay; no entanto, também não assume uma posição
anti-gay. São um ou outro os casos de pessoas de direita que se
manifestam de forma contrária aos gays, coisa que também ocorre nas
esquerdas.


Minhas pesquisas a este respeito apontam que o MHB, em conjunto com
outros movimentos e indivíduos defensores do socialismo, tem adotado uma
estratégia gramsciniana de penetração na mídia, cinema, artes em geral,
escolas etc. com o objetivo de difundir uma imagem negativa e incorreta
a cerca da maneira pela qual, por exemplo, o capitalismo, os militares e
Igreja Católica abordam a homossexualidade.


Hoje no Brasil não existe mais ensino, mas sim doutrinação, tendo a
verdade sido substituída pela propaganda. E este é o cerne da questão do
blog: colocar uma luz sobre a evidente doutrinação que existe dentro da
militância e fora dela
. Eu acho que o gay brasileiro precisa parar de
acreditar no que dizem por aí e passar a investigar os fatos por conta
própria.



UOO: QL, você identifica seu blog como para homossexuais
libertários e de centro-direita. Gostaria primeiro que me definisse o
que é ser libertário e a relação dessa corrente de pensamento com a
questão homossexual. Como também os anarquistas se identificam como
libertários, gostaria que estabelecesse qual a diferença entre
libertários liberais e de esquerda. Segundo gostaria que explicasse
também como define ser de centro-direita e no que isto se diferencia de
ser de direita sobretudo no referente à questão LGBT.



QL: O libertarianismo ou libertarismo é uma filosofia política
que defende a maximização das liberdades individuais e a minimização do
Estado. Na Europa, o termo é usado como sinônimo de liberalismo
clássico. Contudo, nos Estados Unidos, a palavra “liberal” ganhou novos
contornos. Lá, ela designa uma pessoa adepta de uma economia controlada
atrelada ao Estado-providência. Assim, os verdadeiros liberais
americanos adotaram o nome de libertários. Embora muita gente enxergue
os Estados Unidos como um país bipartidário (democratas versus
republicanos), há outros partidos, entre eles o Partido Libertário, o
terceiro maior partido do país. Não sei se você sabe, mas o Partido
Libertário americano foi o primeiro partido a endossar os direitos para a
comunidade LGBT, incluindo o direito de se casar com quem quiser,
independente do gênero. Em 1974, o Partido Libertário pediu a revogação
das leis contra homossexuais. O libertarianismo difere do
anarco-comunismo pelo fato do último ser contrário à propriedade privada
e ao dinheiro. Além disso, o anarco-comunismo prega a tomada do poder
pela revolução, atitude essa condenada pelos libertários. Durante o
processo de criação do blog pensei em exclusivamente libertários.
Entretanto, optei por incluir o termo “centro-direita” para ampliar o
leque de opções para quem é adepto dessa corrente. Quando se fala em
“direita” pensamos em uma série de estereótipos que foram criados pela
esquerda. Nada mais injusto e covarde. A “direita” é diversa e congrega
uma série de ideias e concepções, muitas conflitantes. Em alguns meios, é
comum definir os liberais como de centro-direita.



UOO:Vocês acreditam que essa polarização direita x esquerda que
requentaram nos dias de hoje procede? Ela já não havia sido superada por
outra visão mais abrangente que apontava para a possibilidade de se
superar a dicotomia Estado x mercado? Ou a questão direita x esquerda
vai além dessa dicotomia e não há um meio-termo possível?



GG: Com certeza ainda procede. Eu acho que a definição de direita
e esquerda vai além dessa dicotomia, é muito mais abrangente do que as
considerações entre liberdade de mercado ou dirigismo estatal. Também
defendemos um modelo de Estado menos dominante e uma economia liberal,
mas procuramos nos concentrar no modo pelo qual Estado e sociedade
interagem na atualidade.


Uma das questões que merecem ser discutidas é esse modelo de Estado,
construído a partir de 1988, que protege demasiadamente os ditos
“movimentos sociais” e, com isso, acaba criando uma atmosfera de falsa
cidadania, na qual os desejos de um pequeno grupo passam a definir a
agenda pública.
Eu vejo uma insatisfação muito grande, entre os
homossexuais, quanto à pretensão da militância gay em criar um modelo de
homossexual
. Não é raro ver militantes LGBT dizendo que querem proibir a
Bíblia, acabar com a família, controlar mídias, instalar “ditaduras do
proletariado”, entre outras coisas.


A larga maioria da população brasileira não odeia os homossexuais mas
também não quer que eles fiquem ditando regras acerca de como seus
filhos devem ser educados, sobre como as pessoas devem se comportar no
trabalho ou como devem pensar a respeito de suas doutrinas religiosas.



QL: Provavelmente não, mas essa discussão é algo que se agrava
em muitos países. A polarização entre esquerda e direita remete à
Revolução Francesa. Todavia, a divisão entre essas duas correntes varia
conforme a época. Antes, a direita foi monarquista; hoje é republicana.
Alguns pontos e posturas defendidos pela esquerda atual deixariam Lênin
de cabelo em pé. Houve tentativas de encontrar um meio-termo entre as
duas grandes correntes: a social democracia, o liberalismo social, a
terceira via e o próprio centrismo. Contudo, essas visões e seus
defensores não apresentam uma proposta clara, o que abre espaço para
interpretações dúbias e bizarras.



UOO: Vocês são bem críticos do atual Movimento LGBT brasileiro.
Por quê? Porque o movimento foi aparelhado pelo PT, portanto
partidarizado
, ou por que o consideram muito de esquerda simplesmente?
Se a partidarização fosse de direita (supondo que isso fosse possível),
veriam a situação com outros olhos?



GG: Há vários porquês. Primeiro porque noto que boa parte dos
militantes é formada por pessoas interessadas em captar recursos
públicos ou simplesmente criar projetos para acrescentar no seu
“currículo de militante gay”
. Não é raro encontrar nessa militância
cientistas sociais, jornalistas e advogados que não tiveram sucesso em
suas carreiras e buscam na “causa gay” uma desculpa para maquiar seu
fracasso profissional.


Segundo, na própria discussão dentro do movimento, vislumbramos uma
série de ideias bizarras, chegando-se ao cúmulo de identificar como
“aliados” partidos de ideologia comunista, com histórico de massacre de
gays sem precedentes
em toda a história da humanidade. Esta pregação
pelo socialismo está tornando a militância cada vez mais distante do gay
comum
, impedindo que os militantes compreendam suas reais necessidades.
Por esta razão, o público LGBT se sente pouco estimulado a participar
da militância, não se identifica com os discursos, preferindo seguir
adiante com a própria vida.


Por exemplo, a ABGLT recentemente esteve num evento realizado em Cuba, o
pior país da America Latina para os homossexuais
. Os gays cubanos têm
protestado contra Mariela Castro que se esforça em passar uma imagem de
defensora dos direitos gays; seus programas, no entanto, não passam de
fachada, não mudando em nada a vida dos gays daquele país. Outro fato
bizarro foi a mesma ABGLT ter praticamente ficado em silêncio diante da
vinda de Ahmadinejad ao Brasil
, em novembro. É verdade que a ONG em
questão manifestou o seu apoio à comunidade judaica, mas apenas
nominalmente. Aquele era um momento em que os gays deveriam ter se
juntado com os judeus e protestado contra Ahmadinejad, considerando que,
no Irã, a tortura e a execução de homossexuais são legalizadas. O
presidente da associação chegou a dizer, em entrevista, que pediria ao
governo Lula licença para protestar, deixando patente que quem manda na
ABGLT é o PT
.


Terceiro, o movimento gay fica constantemente mudando o foco de suas
reivindicações: ora milita pelo “matrimônio” gay, ora tenta aprovar o
PLC 122/2006, ora busca eleger candidatos homossexuais. Essa alternância
de estratégia acaba custando muito nos campos tático e operacional e,
vendo como administrador, parece-me que esses ativistas têm feito um
péssimo trabalho. Não é de se estranhar que não conseguem alcançar
nenhum dos objetivos concretos a que se propõem, sejam eles bons ou
ruins. Eles não têm obtido êxito nem em dar o primeiro passo que
consiste em reunir os homossexuais para criar um movimento sólido. Os
atuais grupos de militância gay são todos patéticos, com um contingente
que varia entre 5 ou 15 pessoas em cada grupo, com pouquíssimas
exceções
. A ABGLT, que se gaba de ser representante de 220 grupos
homossexuais, não passa de um embuste, já que a quantidade de grupos
gays no Brasil, segundo um levantamento feito por nós no ano passado,
não passava de 110. Isso sem mencionar o fato de a ABGLT ser uma
organização fechada
, não passa de um grupo de comadres marxistas, como
se ser gay demandasse necessariamente ser socialista.


Por fim, não vejo nenhuma possibilidade de haver uma partidarização à
direita no atual cenário do movimento gay. Não acho inclusive que o
movimento deveria assumir uma tendência, mas simplesmente procurar
priorizar as reais necessidades dos homossexuais brasileiros.



QL: Não diria que sou um crítico, apenas não compartilho do
discurso radical e fundamentalista de determinados setores do movimento
LGBT brasileiro. Acho um equívoco essa partidarização apontada por você.
A questão dos direitos civis deveria ultrapassar as disputas eleitorais
de direita e esquerda. O movimento homossexual vive num mundo fora da
realidade. Talvez por influência da esquerda marxista, existe um
preconceito contra o setor privado. Como se o dinheiro usado para
financiar ONGs, Paradas e entidades LGBTs viesse de Júpiter e não pelo
dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. Aliás, há
aí duas coisas que repudio nesse exemplo: a submissão de entidades
homossexuais ao Estado assim como o uso de dinheiro público nas mesmas.
Lembra o fascismo italiano, quando os sindicatos ficaram atrelados ao
Estado. Acho isso perigoso. Se, hipoteticamente, os movimentos LGBTs
fossem subordinados a partidos de “direita”, repudiaria da mesma
maneira. O movimento homossexual deve ser independente. Contudo, desejo
que haja uma maior abertura do movimento homossexual brasileiro a novas
ideias. Em 2006 procurei um grupo LGBT e não fui compreendido. Talvez
seja difícil para essas pessoas reconhecer que haja opiniões diferentes.



UOO: Os Planos Nacionais de Direitos Humanos de FHC e de Lula
contemplaram algumas reivindicações de direitos homossexuais, mas o de
Lula veio com um recheio onde se observam propostas de abolição do
direito de propriedade, monitoramento e controle da imprensa, controle
de livros didáticos, ampliação do desarmamento da população (e de
seguranças!!?) enquanto o governo financia, com $ público, o cada vez
mais armado MST), e outras estrovengas autoritárias.
Muitos ativistas,
que inclusive reconhecem o caráter aberrante desse plano, estão fazendo
vista grossa ao cerne da coisa para ver se passam os direitos
homossexuais. Como vocês veem essa estratégia?



GG: Recentemente, um militante comunista disse que a população
tem dado mais ênfase às questões do aborto, da propriedade privada e à
polêmica dos militares do que a questão homossexual. De fato, de todas
elas, parece que a questão homossexual é a que menos preocupa. O PT não
está interessado em entregar coisa alguma aos homossexuais, embora
pudesse fazê-lo, já que possui maioria aliada no Congresso.


Acho engraçado que tão logo a questão do PLC 122/2006 (projeto contra
homofobia) arrefeceu, veio em seguida este PNDH-III. Para mim, esse
programa, mais do que um esboço de dominação política, é também
estratégia para agitar a sociedade e depois o governo dizer que os
“cristãos fundamentalistas” têm pressionado o PT nessas questões.


Eu conviveria perfeitamente bem com a esquerda, sem o menor problema. E
deve haver uma esquerda. No entanto, os partidos de esquerda que estão
aí, com um passado de assassinatos, assaltos, terrorismo e mortes,
obviamente não possuem a menor aspiração democrática.



QL: O PNDH 3 foi alvo de tantas críticas que fica difícil fazer
um elogio. Reprovo qualquer tentativa de controle por parte do governo à
minha vida, à minha propriedade e à minha liberdade. Eles falam que o
Plano saiu de discussões de diversos setores da sociedade. Mas quais
setores?
Na realidade são os tais movimentos “sociais” ligados aos
partidos de esquerda que, segundo os próprios, totalizaram 14 mil
pessoas nesses dois anos. Desde quando 14 mil representam 190 milhões de
pessoas?
Sabemos que os reais objetivos do PNDH 3 são partidários, de
ampliar o poder da esquerda e do PT em particular. Tal partido não está
nem um pouco interessado em Direitos Humanos. Se estivesse, por que seus
dirigentes e militantes não se posicionam contra países que
desrespeitam os direitos humanos, como Cuba, China e Venezuela?
A
recepção de Mahmoud Ahmadinejad pelo presidente Lula, no ano passado,
foi uma ofensa àqueles que lutam pelos direitos humanos.



UOO: Da perspectiva LGBT de direita e libertária, quais as
principais bandeiras a serem levadas por um movimento LGBT e como elas
deveriam ser encaminhadas? Há diferenças com as que já são encaminhadas
pela militância tradicional ou não?



GG: Penso que a única coisa correta originada do PT foi o projeto
de união civil (e os direitos daí derivados, como a transferência da
herança ao parceiro e a possibilidade de financiar em conjunto a compra
de seu lar), mas esta se tornou uma bandeira abandonada pelos próprios
militantes homossexuais. A maioria deles não se vê minimamente
interessada em defendê-la, já que alegam que o projeto estaria
“defasado” e que outro mais novo e abrangente seria mais oportuno. Uma
distorção que tem sido frequente é chamar este projeto de “casamento
gay”, pois passa a ideia de que a lei permitiria nos casarmos dentro das
igrejas, o que é um absurdo, pois as religiões têm o seu próprio
percurso evolutivo que deve ser respeitado. Apesar do PLC 122/2006 não
determinar isto explicitamente, na prática, era um projeto que estava
levando a isto.


A questão da AIDS ainda é um campo a ser explorado. Alguns militantes
homossexuais têm reclamado da impossibilidade do gay doar sangue, mas
este é um problema real, já que há muitos gays que fazem sexo sem
camisinha com até 26 homens num único final de semana. Muito se fala que
as políticas brasileiras de combate à AIDS são referências
internacionais, mas também é dito que gays e jovens constituem população
de risco. Se as políticas brasileiras são tão boas, por que os índices
de contaminação entre os gays têm aumentado?
Esse é o tipo de reflexão
que o movimento LGBT deveria fazer; e, ao invés de estimular a
promiscuidade sexual, incentivar a fidelidade e a monogamia.


Deveria também ser criado um sistema de informação e vigilância com
relação aos crimes motivados por preconceito que permitisse o
acompanhamento dos casos judiciais diretamente pelo público interessado.
Atualmente, quando ocorre um crime hediondo, os dirigentes das ONGs
fazem suas declarações, mas parece que pára por aí. Nos EUA, fatos assim
são acompanhados de perto pelo público gay, que atende prontamente os
chamados da militância para protestar.



QL: Acredito que a militância LGBT deveria focalizar os direitos
civis e exigir do Estado o fim de qualquer lei que discrimine pessoas
ou organizações com base na orientação sexual. Mas sou contra leis
“especiais”
. Aqui no Brasil temos a mentalidade de que o governo tem de
salvar as pessoas de si mesmas e que seremos uma sociedade democrática
através da ação estatal. Por vezes, a militância LGBT age de forma
autoritária e incoerente
. Vou te dar um exemplo: basta que um líder
religioso cristão faça algum comentário se posicionado contra a
homossexualidade que temos motins em portas de igrejas, pessoas
queimando fotografias do Papa… Por que não se tomou essa mesma postura
quando o ultra-homofóbico presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad
visitou o Brasil?



UOO:Sei que no exterior há grupos organizados de LGBT
conservadores e libertários
, mas, aqui no Brasil, acho que a iniciativa
de vocês é pioneira. Vocês pretendem partir para uma organização nos
moldes internacionais futuramente?



GG: Claro que sim, porém, para garantir a legitimidade do
movimento, não devemos nos associar a nenhum partido político. Mas ainda
há muito pela frente. No momento, acompanhamos fatos políticos e
violações homofóbicas ocorridos em outros países, entre outras questões.
Temos também nos esforçado para denunciar que as técnicas de subversão
marxista-leninista, empregadas durante o regime militar pelas esquerdas,
estão sendo utilizadas ainda hoje.



QL: Gostaria muito. Tenho mantido contatos informais com uma
organização italiana e outra norte-americana. Mas esbarramos aqui numa
série de problemas, como a precariedade de um país como o Brasil e o
estereótipo que muitas pessoas desenham dos liberais. Comecei de forma
tímida, com o blog e uma lista de discussão. Mas entre os planos futuros
desejo ter um site e um espaço para reuniões e encontros.



UOO: Como vocês veem as próximas eleições para a população homossexual e o país? Que cenário visualizam?


GG: O presidente da ABGLT deu uma entrevista recentemente
recomendando a candidata do PT, Dilma Rouseff. É evidente que a aliança
político-partidária da ABGLT está acima do compromisso de representar a
população homossexual.
Se um pseudo-operário nada trouxe de concreto
para a população gay, menos ainda fará uma ex-guerrilheira terrorista e
assaltante de bancos
, da VAR-Palmares, treinada em Cuba.


De qualquer forma, não creio que a Dilma sairá vencedora. Por outro
lado, devemos ficar atentos, pois a troca de um presidente não
necessariamente traz impactos positivos sobre o movimento gay. Nesse
sentido, um candidato eleito por outro partido pode significar um
continuísmo da presente situação, caso ele faça vista grossa aos
militantes esquerdistas que fazem carreira como “militantes gays”, cujo
único objetivo é obter recursos públicos.



QL: Não há neste país nenhum partido que se aproxime daquilo que
acredite. Há boas tentativas como o Partido Libertário e o Partido
Federalista, mas são projetos e dependem da burocracia estatal para a
regularização dos mesmos. Não vejo um futuro promissor para um país que
apresenta candidatos presidenciais como Dilma Rousseff, José Serra e
Marina Silva.



UOO: Por fim, agradecendo pela entrevista, pediria que deixassem uma mensagem para as leitoras e os leitores do site.


GG: Nossa mensagem para os leitores é “invadam” as sedes do
movimento gay, procurando participar das reuniões e dos meios de
conversação existentes na internet, a fim de ajudar a mudar a situação
ou pelo menos para testemunhar a veracidade do que falamos. Algumas
dessas organizações se envolvem até em práticas criminosas (tal como o
aliciamento de menores, num determinado caso
). O problema de pessoas que
fazem carreiras em movimentos sociais é que estas não se destinam a
resolver os problemas da população, uma vez que os problemas são o
motivo de elas estarem ali recebendo verba pública
. Recentemente, um
homossexual comunista em Cuba foi expulso do partido pelo fato de ser
gay. Se fosse verdade que “o capitalismo gera a homofobia”, fatos como
esse jamais teriam ocorrido. Por isto é importante analisar a coerência
dos discursos dessas pessoas.



QL: Agradeço, primeiramente, a Miriam Martinho pela confiança e
pela oportunidade. Quando paro para ver tudo que os teóricos da esquerda
escreveram: ditadura do proletariado, guerras civis, revoluções armadas
e sanguinárias, paredón, fica tudo com um ar de morte e monstruosidade.
Toda leitura que já fiz sobre liberalismo nunca encontrei um autor que
violasse os direitos essenciais dos seres humanos: direito à vida, à
liberdade, à propriedade, e por aí vai. Portanto, convido a comunidade
LGBT à defesa da igualdade de direitos. 

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